Monthly Archive for July, 2009

Imagem Afiada

Oratória

Saiba como fortalecer a carreira criando sua marca própria.
Revista Você S.A – por Fernanda Bottoni

Criar uma marca pessoal consistente pode ajudá-lo a ser reconhecido com mais facilidade por suas qualidades profissionais. A construção da imagem corporativa para um profissional é muito semelhante à da marca de uma empresa ou de um produto. Em primeiro lugar, a marca precisa refletir para o mundo aquilo que o produto – ou pessoa, neste caso – de fato é em essência. Em outras palavras, na hora de criar a sua marca, você precisa comunicar aquilo que você sabe, tem ou pode oferecer ao chefe, à empresa ou ao cliente. Um banco tradicional, por exemplo, dificilmente ficaria bem tentando vender a imagem de uma empresa de internet moderninha, ou vice-versa. Com as pessoas, ocorre o mesmo. Se você tem um perfil conservador, dificilmente conseguirá parecer natural falando gírias e vestindo jeans e tênis. O inverso é igualmente verdadeiro. Por essas e outras é que os especialistas no assunto são unânimes ao afirmar que todo bom trabalho de construção de marca começa com um processo de autoconhecimento. “Quem não se conhece suficientemente bem pode cometer o erro de vender um conceito que não consegue entregar na prática”, diz Dennis Giacometti, presidente da agência de propaganda de branding Giacometti Propaganda, de São Paulo. Veja a seguir as principais dicas para descobrir suas características mais marcantes e divulgá-las com eficiência .

• Discurso adequado

A adequação do discurso segue a mesma regra da imagem. Se você tentar mudar demais seu estilo, não vai convencer ninguém.

• Autoconhecimento

Antes de criar sua marca pessoal, é preciso conhecer bem suas características, sua motivação, seu potencial e seu diferencial. Ou seja, é preciso saber muito bem quem você é antes de identificar a marca e a mensagem que quer passar para o mercado. Segundo os especialistas, uma marca pessoal eficiente não pode ser apenas uma casca que o profissional veste quando convém. “A marca pessoal é resultado do conjunto de fala, imagem e ação de uma pessoa”, diz Silvio Celestino, diretor da Enlevo, consultoria de marketing estratégico e pessoal, de São Paulo. Portanto, é fundamental que sua marca tenha consistência e reflita, de fato, o que tem a oferecer de melhor.

• Excelência e referência

Outro item essencial para construir uma marca pessoal eficiente é conhecer muito bem o meio em que você está. Converse com colegas de trabalho ou amigos de outras companhias, do setor em que atua e dos concorrentes. Além de ter conhecimento, o profissional precisa saber verbalizá-lo. Por exemplo, ofereça ajuda a colegas que tenham dificuldades numa área que você conhece bem. E uma boa forma de fazer marketing pessoal. Quem divulga bem sua marca muitas vezes consegue se tornar referência em algum assunto.

• Imagem sob medida

Antes de se candidatar a qualquer vaga é importante conhecer a cultura, os princípios e os valores da empresa para a qual pretende trabalhar. Basicamente porque, com as informações, você poderá adequar, na medida do possível, sua aparência e seu discurso. Para saber como se vestir para uma entrevista, procure observar como os funcionários da empresa se vestem.

“E verdade que, se você estiver num processo seletivo para uma vaga de gerente num banco tradicional, terá mais chances se usar terno e gravata”, diz Silvio, da Enlevo. “No entanto, se você estiver visivelmente desconfortável no terno, por mais que se esforce, não vai convencer o entrevistador de que essa é a vaga ideal para você”, diz ele.

• Plano de negócios

Aplicar alguns conceitos de plano de negócios ao direcionamento da carreira também ajuda na definição da marca pessoal. “Com frequência as pessoas montam um plano de negócios para uma empresa. Raramente, fazem o mesmo para a carreira”, diz Renata Rocha, consultora da Robert Wong Consultoria Executiva. Segundo Dennis, da Giacometti, vale a pena estabelecer metas quantitativas e qualitativas para sua marca pessoal. Por exemplo, se você quer alcançar um cargo num determinado período, faça um planejamento. Pense quantos contatos você precisa ter, de que forma vai obtê-los, que cursos ainda tem de fazer, por quais cargos ainda precisa passar. “Tenha indicadores estatísticos para acompanhar sua evolução”, diz Dennis.

O Poder da Persuasão

Oratória

Um psicólogo de Harvard mostra por que alguns líderes são mais eficazes que outros.
Revista Exame – por Cristiane Corrêa

A dupla de pesquisadores americanos Daniel Kahneman e Vernon Smith ganhou o Prêmio Nobel de Economia por demonstrar que o comportamento humano é uma variável crítica do funcionamento dos mercados. Com essa teoria, a psicologia obteve relevância entre os economistas. Um livro que chega às livrarias brasileiras em outubro deve dar novo impulso à psicologia e já se tornou leitura obrigatória para quem está à frente de um negócio. Trata-se de Changing Minds – The Art and Science of Changing Our Own and Other People’s Minds (Mudando pensamentos – a arte e a ciência de mudar as nossas idéias e as de outras pessoas). Seu autor é o psicólogo americano Howard Gardner, professor na Universidade de Harvard.

No livro, Gardner mostra como líderes tão diferentes como o indiano Mahatma Gandhi e Jack Welch ex- presidente da GE, conseguiram influenciar seu público e, assim, levar adiante suas idéias. Gardner enumera sete “alavancas” que ajudam os líderes a persuadir pessoas, sejam elas políticos, executivos ou artistas:

- Razão: a apresentação lógica das idéias.

- Pesquisa: utilização de informações relevantes na argumentação.

- Ressonância: a idéia deve “parecer certa” para o público.

- Redescrições representacionais: termo técnico que em bom português significa contar uma boa história.

- Recursos e prêmios: a audiência precisa ser seduzida e achar que ganha ao apoiar o chefe.

- Acontecimentos do mundo: crises, guerras, furacões, tudo isso pode facilitar a mudança de pensamento.

- Resistências: o líder deve estar preparado para elas e saber como combatê-Ias.

Como isso funciona na prática? O caso de Margaret Thatcher é exemplar. Obcecada por dados e estatísticas, a ex-primeira-ministra inglesa era uma estadista bem informada, com argumentação sólida e convincente. A mensagem para o povo era simples e clara: o país precisava sair da crise e recuperar a importância mundial que tivera no passado. Sua imagem pessoal – a de uma mulher de origem modesta, que se fizera sozinha, com uma personalidade combativa – reforçava seu discurso. Embalada dessa forma, a virada proposta por Thatcher não parecia um sonho, mas sim algo verossímil.

Gardner também cita exemplos de líderes que não conseguiram mudar o pensamento das pessoas – e com isso acabaram destronados. Ex-presidente da Monsanto, entusiasta dos alimentos geneticamente modificados, Robert Shapiro queria transformar a Monsanto numa empresa de biotecnologia, mas não conseguiu convencer o público de que os transgênicos eram urna boa idéia. Em 1998, numa conferência em São Francisco. um ativista chegou a atirar uma torta no rosto do executivo. “Nós provavelmente irritamos e antagonizamos mais pessoas do que persuadimos”, disse ele a um grupo de acionistas na época. Em 2000. Monsanto e Pharmacia se fundiram e Shapiro deixou a nova empresa pouco tempo depois.