Monthly Archive for August, 2009

Olha a Língua!

Oratória

Os jargões corporativos são um dos maiores inimigos da comunicação clara e eficiente no trabalho.

Revista Você S/A

Seu approach está gerando sinergia com o board? No universo dos negócios, ouvir frases como esta não é incomum. O uso de jargões corporativos faz parte da cultura de muitas empresas e também serve como um código entre profissionais, criando uma relação de proximidade no grupo. O problema é que, quando ele rola solto na empresa, aumentam as chances de haver mal-entendidos. “Por mais disseminados e usuais, esses termos podem gerar interpretações diferentes para cada pessoa”, diz Silvana Mello, professora de recursos humanos da Brazilian Business School (BBS), em São Paulo. Contam aí os estrangeirismos, os termos técnicos e as frases de efeito e motivação que, de tão usados, podem surtir efeito contrário. Não há mal nenhum em usar, moderadamente, os termos dentro da companhia. Eles podem servir, até, como elemento integrador quando um recém-chegado passa a falar a “mesma língua” dos demais – desde que o jargão signifique a mesma coisa para todos. O problema é o excesso, que acaba gerando ruídos e incompreensão. “O abuso do jargão faz com que a comunicação seja menos objetiva e focada no resultado esperado”, diz Silvana.

- “Trabalhei em uma empresa que foi comprada pela Parmalat. O presidente e os executivos vindos da Itália falavam o tempo todo de um tal de chidi. Não tínhamos a menor ideia do que eles estavam falando e ninguém tinha coragem de perguntar aos novos chefes. Depois de três meses descobrimos que a palavra nada mais era do que a sigla para o centro de distribuição que em italiano tem este som: ci (letra c) mais di (letra d).”

Derek Clemence, 48 anos, consultor independente de gestão industrial

- “Por cinco anos trabalhei na Dell, onde todos usam termos em inglês. Quando mudei de emprego, tive que me policiar, para não chamar reunião de disscussion meeting e almoço de lunch. Em uma negociação, falei a meu colega que precisávamos de um last call do cliente. Percebi que ele não entendeu e corrigi o ruído, dizendo que seria importante que o cliente nos ligasse antes de fechar com outro fornecedor.”

Mario Cilento Neto, 34 anos, consultor de vendas da Seprol

- ” Quando entrei na Microsoft, em setembro de 2008, passei uma semana tentanto entender o que as pessoas diziam. O pessoal usa muita sigla e palavras em inglês. Para ter uma idéia, meu cargo é consumer & online marketing officer. Internamente, falamos COMO. Para dar conta do que as pessoas diziam, passei meu primeio fim de semana aqui, sentada na frente do computador, lendo e-mail por e-mail e anotando cada palavra desconhecida em um caderno e procurando seu significado na internet. Guardo até hoje as quatro páginas de caderno com essas anotações.”

Maria Heloísa, 37 anos, diretora de marketing do grupo de serviços online e consumo da Microsoft Brasil.

- ” Em 2008, fomos contratados por um cliente para estruturar em três meses a governança de SOA. No cliente, ninguém sabia o que isso significava, embora o termo fosse constantemente usado em reuniões. Havia ruídos de comunicação na hora de estipular metas e cobrar resultados. Passei praticamente dois meses explicando o significado do termo. Para cumprir o prazo, tive que trabalhar nos fins de semana e feriado. Em tempo, governança de SOA é uma forma de controlar o desenvolvimento de software.”

José Patriota, 27 anos consultor de governança de TI da consultoria Seedts.

Manual da comunicação eficiente

Oratória

O que você precisa saber para dar o seu recado no trabalho, sem ruídos.

Revista Você S/A – por Renata Avediani

Escolher as palavras certas e falar com clareza. Aprender a escutar e entender o que as outras pessoas dizem. Estar atento aos gestos, aos movimentos e às expressões que muitas vezes revelam mais sobre alguém do que as palavras. Essas atitudes formam a receita básica de uma comunicação eficiente, algo fundamental para quem pretende ter um bom desempenho no trabalho. “Quem tem mais domínio sobre todos esstes aspectos consegue se comunicar melhor”, diz a fonoaudióloga Leny Kyrillos, professora doutora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que atende executivos, jornalistas e atores. Como você pode acertar no discurso e dar seu recado no trabalho? Para começar, siga as regras básicas. Depois, veja o que funciona melhor para você e o seu interlocutor. “A comunicação depende do contexto e das características do orador e do público”, diz o professor Reinaldo Polito, autor do livro Como Falar Corretamente e Sem Inibições (Editora Saraiva), um dos maiores especialistas do Brasil em comunicação.

• Vá direto ao assunto

Para vender uma ideia ao chefe não é preciso contar todo o processo que o levou a formular a proposta. Concentre-se em dizer qual benefício sua sugestão produzirá. “Vá direto às conclusões e seja conciso. Saber priorizar informações é fundamental para ter relevância”, diz Normann Pedro Kestenbaum, autor do livro Obrigado pela Informação que Você Não Me Deu! (Editora Campus/Elsevier) e sócio da consultoria Baumon, de São Paulo, especializada em comunicação.

• Seja mais claro por favor

Para fazer com que o ouvinte entenda exatamente o que você diz, fale a língua dele. Adapte e traduza seu discurso à faixa etária, formação, interesses e expectativas do ouvinte. Assegure-se de que ele gravou o recado. “Não adianta ter um discurso brilhante se ele não será lembrado depois de uma hora”, diz o consultor Normann Kestenbaum. Desconfie de termos difíceis, gírias, expressões vulgares, tecnicismos e jargões. Eles podem sabotar a mensagem. “Os líderes devem limpar ao máximo os ruídos da comunicação”, diz Leny Kyrillos, fonoaudióloga da PUC-SP.

Como escutar melhor

Saber escuta é um item primordial para uma comunicação eficiente. Avalie se você está aberto às mensagen, que recebe – principalmente se você se acha incompreendido. “Quem fala demais e não dá espaço para o outro pode prejudicar o processo da comunicação”, diz Reinaldo Polito. Para aguçar a audição, as dicas são:

- Evite prejulgar. Espere até que a mensagem seja completada antes de dar sua opinião. Isso ajuda o entendimento.
- Guarde a informação. Para registrar a informação, só há um jeito: preste atenção. Se a sua memória não é boa, anote. Ou peça por escrito. Recordar o foi conversado ajuda a retomar a comunicação a partir dos principais pontos. Isso é eficiência.
- Tenha interesse pelos outros. Admitir que os outros também têm boas idéias é um dos primeiros passos para escutar o que eles têm a dizer.

• Escrever não é falar

Para ter sucesso na linguagem escrita, é reciso dominar vocabulário, gramática e construção das frases. O maior problema ocorre quando se tenta escrever da mesma forma que se fala. Nesse caso, o resultado pode ser um texto incompreensível. Para se expressar bem na linguagem escrita, além de praticar bastante:

- leia e releia suas mensagens antes de ennviá-las, para encontrar e corrigir os erros;
- espere um pouco antes de enviá-las. Quanto mais tempo passar, mais fácil será ler de forma isenta e descobrir possíveis interpretações erradas;
- peça ajuda a terceiros para checar o entendimento e a clareza do texto.

• Mais que mil palavras

As informações que você emite com o rosto, os braços e o tom de voz causam mais impacto do que o conteúdo que está sendo passado. Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, concluiu que 93% da eficácia da comunicação deve-se ao tom e à intensidade da voz, aos gestos e às expressões corporais. “A mensagem que prevalece é aquela transmitida pela comunicação não-verbal“, diz Leny, fonoaudióloga da PUC-SP. Preste atenção:

- Ao corpo. A forma como alguém gesticula sinaliza o que ele sente. Uma posição ereta, olhando as pessoas de frente e braços voltados para quem está falando dá a ideia de acessibilidade e entusiasmo. Cruzar os braços ou manter os ombros caídos podem causar o efeito contrário. O rosto e a boca também são agentes importantes de uma comunicação eficiente. Evite uma postura desleixada e os bocejos.
- A voz. Este é um dos elementos mais importantes para passar a interpretação desejada. Contam o tom, o volume e a entonação. Não adianta, por exemplo, manter o tom grave – que gera a sensação de seriedade e firmeza – para motivar e entusiasmar o time. Prefira um tom mais leve e alegre. “O segredo é saber variar e combinar todos estes elementos para serem usados de acordo com a informação e a sensação que queira produzir nos outros”, diz Leny Kyrillos.